• Gustavot Diaz

+50 Mulheres na arte: uma atualização

Este 8 de março de 2022 merece uma atualização na listagem de artistas mulheres que elaboramos tempo atrás. É claro que este é apenas breve resumo de um universo incontável de artistas – mas é uma proposta de síntese do que considero a melhor produção pictórica realizada por mulheres na contemporaneidade.

COLLEEN BARRY, “The feet washers” 2022 (detalhe) | óleo sobre tela (50×80 polegadas)

Há quatro anos, alertei no texto Mulheres na arte: 50 artistas contemporâneas que redimensionam o lugar da mulher da arte hoje que massa significativa da produção de mulheres havia sido esquecida pelo ativismo feminista, que resiste a incorporar expressões da arte figurativa, especialmente a realista. Isso porque o próprio mainstream (somente no Brasil, claro) resiste à expressão pictórica, especialmente a realista, contra a qual a resistência se dá com especial afinco. Ambos perdem: o mercado da arte e a luta feminista. Aqui, a “crise da representação” parece não ser nunca superada.

No texto eu dizia ainda que a arte realizada por mulheres era então normalmente dividida em duas categorias: artesanais (costura, artes manuais e de indumentária, arte de comunidades tradicionais, etc) e históricas (onde a impressão geral era de que as únicas artistas mulheres da História foram Artemísia Gentileschi, Camile Claudel, Frida Kahlo, Louise Bourgeois e, mais recentemente, Cindy Sherman e Marina Abramovic). O alerta era de que tais categorias eram insuficientes, e também de que a não-incorporação da espetacular produção figurativa que ocorria diante dos nossos olhos criava uma separação artificial e mesmo um desserviço à luta feminista. Por fim, o realismo pictórico e a ausência de expressa tematização das pautas de gênero me pareciam ser o motivo pelo qual a notável produção que apresentei naquele artigo de quatro anos atrás – que hoje atualizo – não era levada em conta no contexto da agenda feminista.

De lá pra cá, fui conhecendo e listando artistas, e senti que era preciso urgentemente uma atualização da lista anterior – a produção artística realizada por mulheres ganhou uma notoriedade impressionante, inexistente na época. Uma enorme quantidade de perfis nas redes dedicadas apenas a “arte de mulheres” – para além da dimensão política implicada – gerou uma infinidade de artistas mulheres, em geral muito jovens, que encontraram na fama estímulo e a possibilidade de dedicar-se exclusivamente ao trabalho artístico.


ISE FEIJÓ (trabalho em processo)

Acredito também que o contexto político global dos últimos anos – de viés patriarcal e mesmo proto-fascista – tenha contribuído para uma sororidade que impulsionou o reconhecimento e apoio dessa arte entre as mulheres. Não poderia deixar de apontar uma discussão subjacente nessa ascensão: até onde tal exibição demonstra real empoderamento e até onde seria apenas mais uma forma de objetificação. Para este debate, obviamente não tenho nem preparo, nem lugar de fala, mas gostaria muito de acompanhar interlocuções neste sentido: é um tema que me interessa, sobre o qual não tenho clareza, mas considero fundamental num contexto de desarticulação das lutas sob o regime machista, brutal e autoritário em que temos vivido justamente nos últimos quatro anos.

Espero aqui contribuir com o avanço dessas discussões e que essa nova síntese possa oferecer minimamente uma visão de conjunto que explicite a noção de que, não apenas mulheres produzem arte de igual qualidade à de homens, evidentemente, mas, eu arriscaria dizer, elas têm alterado – mais do que o lugar da mulher na arte contemporânea – também o próprio rumo da arte de nosso tempo.

(Segue também uma série de perfis dedicados exclusivamente à produção feminina. Optei por lincar o Instagram das artistas; basta clicar no nome de cada uma para seguir)

LILIA VOVK (UCRÂNIA)



VIKTORIA SAVENKOVA (BELARUS)

DIANE MARSH (NEW MEXICO)

AMY WERNTZ (EUA)

FRAN CHANG (TAIWAN/BRASIL)

IRENE GONZÁLEZ (ESPANHA)

NJIDEKA AKUNYILI CROSBY (NIGERIA)

SARA GALLAGHER (EUA)

BERNADETT TIMKO (INGLATERRA)

LUISIANA (LUISI) MERA (PANAMÁ/EUA)

ALBA FABRE SACRISTÁN (ESPANHA)

CRISTINA IGLESIAS (JOBS) (CATALUNHA)

SONJA SURBATOVIC (YUGOSLAVIA)

KIKYZ1313 (MÉXICO)

JENNA GRIBBON (EUA)

ELISA CAPDEVILA (ESPANHA)

MAYA BRODSKY (BIELORRÚSSIA)

MANON PELLAN (FRANÇA)

HEATHER PERSONETT (EUA)

BRITTANY RYAN (EUA)

CHRISTIANE VLEUGELS (BÉLGICA)

FRANCIEN KRIEG (ALEMANHA)

ELENA STEINER (REPÚBLICA TCHECA)

VALERIA DUCA (MOLDÁVIA)

MIA BERGERON (EUA)

ELENA BURYKINA (UCRÂNIA)

VICTORIA KALAICHI (UCRÂNIA)

THEODORA DANIELA CAPĂT (BUCARESTE, ROMÂNIA)

ANNE-CHRISTINE RODA (FRANÇA)